
UNDER_SPOTLIGHT: SANDRO MARTINS
Sandro Martins é o convidado do Under_Spotlight. Descobre a entrevista exclusiva onde fala da sua carreira, produção musical, Tech House, festivais e ambições internacionais.
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Na música eletrónica, há percursos que começam com uma oportunidade. O de Sandro Martins começou precisamente pela falta dela. Ainda com apenas 19 anos, decidiu criar a sua própria promotora de eventos para poder subir à cabine e mostrar aquilo de que era capaz. O que começou como uma solução acabou por transformar-se no primeiro passo de uma carreira que continua em clara ascensão.
Ao longo dos últimos anos, o DJ e produtor português conquistou espaço na cena nacional através da consistência, da energia contagiante em palco e de uma identidade sonora onde o Tech House assume hoje o papel principal, sem esquecer a influência que o Techno teve na construção do seu percurso. A sua passagem por eventos como CODE by Fabrik, Sound Waves, Tribute of Techno, Cirkus ou OAF Festival, bem como atuações ao lado de nomes como Marco Carola, Sam Paganini, Fatima Hajji, DJ Rush e Booka Shade, confirmam a evolução de um artista que continua focado em crescer sem perder a sua essência.
Nesta edição do Under_Spotlight, fomos conhecer melhor o percurso de Sandro Martins, as aprendizagens que marcaram a sua carreira, a visão que tem sobre a atual cena eletrónica e os objetivos que pretende alcançar nos próximos anos. Uma conversa honesta sobre paixão, persistência e a ambição de levar a música portuguesa cada vez mais longe.


1. Começaste a tua carreira muito cedo, criando a tua própria promotora de eventos aos 19 anos. O que te levou a dar esse passo e de que forma essa experiência moldou o artista que és hoje?
Sandro Martins: Na altura queria simplesmente tocar para os meus amigos, mas não existiam muitas oportunidades. Então decidi criar a minha própria oportunidade.
Essa experiência deu-me maturidade, força e visão para levar este projeto muito mais longe. Aquilo que começou como uma brincadeira de miúdo acabou por transformar-se num sonho que hoje continuo a perseguir.
2. Ao longo dos últimos anos partilhaste palco com alguns dos maiores nomes da cena internacional. Qual foi o momento que mais te marcou até agora e porquê?
Sandro Martins: Sem dúvida, o momento que mais me marcou foi partilhar o palco com Marco Carola. Foi uma enorme responsabilidade tocar antes dele, mas também um momento que me fez acreditar ainda mais que este sonho é possível.
3. A tua sonoridade move-se entre o Tech House e o Techno, sempre com muito groove e percussão. Como descreves a evolução do teu som desde os primeiros sets até aos dias de hoje?
Sandro Martins: No início tocava um pouco de tudo dentro desses estilos, muito para perceber melhor aquilo com que o público se identificava e, ao mesmo tempo, descobrir quem era enquanto artista. Nessa fase era importante adaptar-me às oportunidades que surgiam, sempre dentro daquilo que fazia sentido para mim.
O Tech House foi sempre o meu grande amor e o Techno acabou por ser uma influência importante no meu percurso. A música está em constante evolução e, atualmente, sinto-me muito mais ligado ao Tech House porque representa verdadeiramente a minha identidade. É um género com uma enorme qualidade e diversidade. Quanto ao Techno, sinto que hoje está um pouco mais distante daquilo com que me identifico e, por isso, acredito que estou a seguir o caminho certo: fazer aquilo que realmente me faz feliz.


4. Quem já te viu atuar sabe que a tua energia em palco é uma das tuas imagens de marca. Essa entrega acontece de forma natural ou existe uma preparação mental antes de cada atuação?
Sandro Martins: Acredito que é, acima de tudo, amor pelo que faço. A cabine é o lugar onde me consigo libertar, ser feliz e criar uma ligação com as pessoas. Por isso, vivo cada atuação da forma mais genuína e intensa possível.
5. Atuaste em eventos de grande dimensão como o CODE by Fabrik e o Sound Waves. Que diferenças sentes entre tocar num grande festival e numa sala mais intimista?
Sandro Martins: A maior diferença está na pressão, embora ela exista em ambos os contextos. Num grande festival existe a responsabilidade de corresponder às expectativas de milhares de pessoas. Numa sala mais intimista, a ligação com o público é muito mais próxima e tudo se sente de forma mais intensa.
Depois existem fatores técnicos, como a qualidade do som, a cabine ou as condições do espaço, que também influenciam cada atuação. São variáveis que nem sempre conseguimos controlar, mas fazem parte da realidade de qualquer artista.
6. Entraste no mundo da produção alguns anos depois de começares a tocar. O que te despertou para a produção musical e como foi o processo de lançar as tuas primeiras faixas?
Sandro Martins: Comecei a produzir porque queria construir uma identidade própria. Queria que, quando alguém ouvisse uma música minha, pensasse imediatamente: "Isto é Sandro Martins."
Lançar as primeiras faixas não foi fácil. Estava no início, ainda a aprender e sem um portfólio sólido para apresentar. Mas, com persistência e evolução, as oportunidades começaram naturalmente a aparecer.


7. O Techno e o Tech House atravessam atualmente uma fase de enorme exposição mediática. Na tua opinião, o género está a viver o seu melhor momento ou existe o risco de perder alguma da sua essência underground?
Sandro Martins: As tendências vão e vêm e a música está sempre em transformação. Hoje sinto que muitos clubs perderam parte da sua essência, enquanto os festivais ganharam cada vez mais protagonismo. No entanto, não acredito que esse modelo seja sustentável para sempre.
Na minha opinião, atualmente valoriza-se demasiadas vezes a componente visual em detrimento da qualidade sonora. A verdadeira essência de um club não está nas fotografias nem nas redes sociais; está na música, na pista e na ligação genuína entre o artista e o público.
8. Portugal tem produzido cada vez mais talento na música eletrónica. Ainda sentes que os artistas portugueses precisam de trabalhar o dobro para conquistar reconhecimento internacional?
Sandro Martins: Sim, acredito que ainda precisamos de trabalhar muito mais para conseguir reconhecimento internacional. Portugal tem artistas de enorme qualidade, mas nem sempre as oportunidades surgem apenas pelo talento. Enquanto a indústria continuar muito dependente de interesses e contactos, será sempre mais difícil para muitos artistas portugueses conquistarem espaço além-fronteiras.
9. Quando estás a preparar um set, o que pesa mais na tua decisão: contar uma história musical ou responder à energia que encontras na pista naquele momento?
Sandro Martins: Para mim, as duas coisas são fundamentais. Gosto de construir uma história musical para que o set tenha coerência, evolução e identidade. Mas também considero essencial saber ler a pista e adaptar-me à energia das pessoas. É esse equilíbrio que cria uma verdadeira ligação com o público.
10. Olhando para o futuro, quais são os principais objetivos que ainda queres alcançar enquanto DJ e produtor, e onde imaginas o projeto Sandro Martins daqui a cinco anos?
Sandro Martins: Acima de tudo, quero continuar a ser feliz a fazer aquilo que amo. Este é um sonho que exige muito trabalho, sacrifício e dedicação, mas o meu objetivo passa por atuar nos melhores palcos do mundo, ser reconhecido pela minha música e sentir que as pessoas querem ouvir o meu trabalho em diferentes países.
Daqui a cinco anos imagino-me em Ibiza, com uma agenda internacional consolidada e a viver cada vez mais da música. No final de tudo, o maior objetivo é conseguir transformar este sonho numa realidade sustentável e proporcionar uma vida estável à minha família.


A UnderMag agradece ao Sandro Martins pela disponibilidade, sinceridade e tempo dedicado a esta conversa. Foi um privilégio conhecer melhor o percurso, a visão e a paixão de um artista que continua a afirmar o seu lugar na música eletrónica portuguesa.
Desejamos-lhe as maiores felicidades para os próximos desafios, tanto em estúdio como atrás da cabine, e estaremos atentos aos próximos capítulos da sua carreira.
Obrigado, Sandro. Até breve.
A equipa da UnderMag
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