R4W celebra quatro anos de cultura clubbing no Porto
O R4W celebra quatro anos de cultura clubbing no Porto com quatro noites de aniversário, 208 quartas-feiras consecutivas, novos convidados e uma nova fase para o projecto.
NOTÍCIAS


Quatro anos, mais de 200 quartas-feiras e uma ideia que continua a assentar na música, na comunidade e na abertura da pista a diferentes artistas. O R4W assinala quatro anos de actividade no Porto durante o mês de outubro, mantendo a quarta-feira como ponto de encontro para a sua comunidade.
Há projectos que nascem para preencher uma noite no calendário e há outros que, com o tempo, acabam por criar uma identidade própria dentro de uma cidade. O R4W pertence claramente à segunda categoria.
Criado por Pedro Tabuada e Bikas, o projecto construiu ao longo de quatro anos uma presença particular na noite portuense: uma sessão dedicada ao House e ao Techno, realizada à quarta-feira, com uma programação que procura cruzar residentes, convidados e diferentes gerações da música electrónica.
Segundo a organização, o R4W chega agora às 208 quartas-feiras consecutivas, um número que ajuda a perceber a dimensão da aposta. Num circuito nocturno onde a regularidade nem sempre é fácil de manter, sobretudo a meio da semana, transformar uma quarta-feira numa noite reconhecível dentro do calendário clubbing do Porto tornou-se uma das principais características do projecto.
Uma quarta-feira com identidade própria
A história recente do R4W passou por diferentes espaços. Em 2024, por exemplo, o projecto esteve ligado ao Ferro Bar, mantendo a sua programação regular de quarta-feira e uma curadoria partilhada por Pedro Tabuada e Bikas.
Desde a sua abertura, o R4W tem vindo a construir o seu percurso por diferentes espaços da cidade do Porto, passando pelo Baixa Bar, pelo Ferro Bar e, actualmente, pelo Era Uma Vez no Porto, na Rua da Madeira, que entretanto se tornou a sua casa.
Ao longo deste percurso, diferentes noites receberam nomes como Amulador, An_Dre, Armando (PT), Bikas, Carlos Regadas, Cuba, Diana Oliveira, Fragoso, Frank Maurel, Gustavo, Kaeser, Kee_ko, Mannara, Miguel Nery, Nuno Di Rosso, Ostinato, Pedro Tabuada, Rúben Costa, Rui Trintaeum, Vasco Valente e Whitenoise, entre muitos outros artistas ligados à cena electrónica nacional.
Esta sucessão de nomes também ajuda a perceber uma das características fundamentais do conceito: a cabine não é pensada apenas para os residentes.
De acordo com a organização, o R4W conta actualmente com sete residentes, responsáveis por convidar outros artistas ao longo das semanas. Para 2026, a equipa indicada inclui Pedro Tabuada, Nuno di Rosso, Rui Azevedo, Mannara, Ruben Costa, Alfonsvs, Simone e Aikko.
A lógica é simples, mas pouco comum na sua consistência: criar uma plataforma onde diferentes artistas possam apresentar a sua música, sem que a programação fique limitada a um pequeno circuito de nomes.
Uma reportagem publicada pela Agenda Cultural do Porto, depois de acompanhar uma edição do R4W, descrevia precisamente essa preocupação de Pedro Tabuada em abrir espaço a artistas que ainda não tinham conseguido entrar nos circuitos mais fechados da noite. A mesma reportagem destacava também a relação próxima entre a cabine, o público e a própria equipa da noite.
Sem a lógica dos circuitos fechados
É aqui que a expressão “circuito aberto”, usada pelo próprio R4W, ganha particular importância.
O projecto assume uma posição de abertura a diferentes artistas e públicos, procurando fugir à ideia de uma noite construída exclusivamente à volta de nomes previamente estabelecidos. A programação das últimas temporadas confirma essa diversidade, com noites que atravessam diferentes sensibilidades dentro do House e do Techno.
Mais do que uma sucessão de line-ups, o R4W foi criando uma comunidade em torno de uma noite específica. Uma comunidade que aparece tanto na pista como na relação entre DJs, residentes e convidados.
Essa dimensão é particularmente relevante numa cidade como o Porto, onde diferentes gerações e circuitos da música electrónica continuam a coexistir. O R4W encontrou espaço precisamente nesse território: uma noite regular, de pequena escala, mas suficientemente consistente para se tornar uma referência dentro do calendário clubbing da cidade.
Quatro anos, quatro quartas-feiras
Para assinalar o quarto aniversário, o R4W decidiu transformar outubro numa extensão da própria ideia do projecto.
Em vez de concentrar a celebração numa única noite, o aniversário será distribuído por quatro quartas-feiras consecutivas, mantendo a estrutura semanal que acompanha o R4W desde o início.
O programa começa a 7 de outubro, com Pedro Tabuada B2B Guta, seguindo-se Alfonsvs convida Luís Afonso, a 14 de outubro, Pedro Tabuada convida Westvil, a 21, e Mannara All Night Set, a 28 de outubro.
A primeira noite está marcada para o Era Uma Vez no Porto, entre as 23h59 e as 06h00, e conta ainda com a presença do VJ Akira.
Existe também uma opção “All In”, que reúne as quatro noites num único passe, reforçando a ideia de que o aniversário não é apenas uma festa, mas uma celebração prolongada da própria residência.
O R4W ganhou asas
O quarto aniversário chega também acompanhado de uma novidade que pode marcar a próxima fase do projecto. No final de setembro, o R4W apresentou o R4W Clubbing, numa noite com An_Dre e Pedro Tabuada. O conceito nasce com a intenção de levar a identidade R4W para fora da habitual quarta-feira, através de eventos pontuais, em diferentes momentos e espaços.
A primeira edição aconteceu a 26 de setembro, precisamente no Era Uma Vez no Porto, e a organização revelou a intenção de, no futuro, levar o projecto para novos cenários, pistas maiores e diferentes dimensões de clubbing. É uma evolução natural para um projecto que passou quatro anos a construir consistência sem abandonar a sua escala original. A quarta-feira continua a ser a sua casa, mas já não precisa de ser o seu único território.
Quatro anos depois
Num momento em que a cultura clubbing é muitas vezes medida pela dimensão das produções, pela presença de grandes nomes ou pelo alcance nas redes sociais, o percurso do R4W lembra-nos que existe outra forma de construir relevância. Uma noite fixa. Uma comunidade. Uma programação que se renova todas as semanas. E uma vontade clara de criar espaço para diferentes artistas.
As 208 quartas-feiras consecutivas são, nesse sentido, mais do que um número. São a prova de uma continuidade que raramente acontece por acaso. O R4W celebra quatro anos mantendo a mesma frequência que esteve na origem do projecto: quarta-feira, Porto, música electrónica e pista aberta. E, depois de quatro anos, parece estar pronto para descobrir até onde pode levar essa ideia.
Opinião UnderMag
Há algo particularmente interessante no percurso do R4W: a capacidade de transformar uma noite aparentemente improvável, uma quarta-feira, numa rotina para uma comunidade. Não é necessariamente a dimensão que torna um projecto relevante. É a consistência.
Ao longo destes quatro anos, o R4W construiu uma identidade reconhecível sem depender exclusivamente de grandes nomes ou de uma lógica de programação fechada. A aposta em residentes, convidados e diferentes artistas da cena nacional criou uma espécie de circuito paralelo dentro da própria cidade.
O próximo passo, com o R4W Clubbing, será talvez o mais interessante de acompanhar. Sair da quarta-feira significa testar se aquilo que foi construído em torno de uma noite específica consegue funcionar noutros contextos, mantendo a mesma identidade. Quatro anos depois, a questão já não é apenas saber se o R4W consegue continuar. É perceber até onde consegue crescer sem perder aquilo que o tornou reconhecível.
Mais notícias aqui
UNDERMAG © 2026
Menos scroll. Mais conteúdo relevante. Subscreve a newsletter UnderMag.
