Plano B celebra 20 anos: duas décadas a moldar a cultura nocturna do Porto
Há espaços que nascem como clubes, outros como bares, outros ainda como salas de concertos. O Plano B, no Porto, nasceu como uma ideia e tornou-se num símbolo cultural. Em 2026, o espaço celebra 20 anos de existência, afirmando-se como uma das instituições mais relevantes da noite e da cultura alternativa portuguesa.
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Localizado na Rua de Cândido dos Reis, em plena Baixa portuense, o Plano B não é apenas um ponto de encontro para quem sai à noite. É um lugar onde música, arte e comunidade se cruzam desde 2006, resistindo a modas, crises e transformações profundas na cidade.
De projecto improvisado a referência cultural
A história do Plano B começa de forma quase acidental. Criado por Filipe Teixeira, João Teixeira, Bernardo Fonseca e Filipe Galante, o projecto surgiu inicialmente como uma associação cultural, pensada para acolher exposições, performances e eventos multidisciplinares.
A primeira festa aconteceu ainda com o espaço em obras, em fevereiro de 2006. O que deveria ser um encontro informal rapidamente ganhou outra dimensão. A resposta do público foi imediata e o Plano B começou, quase sem planeamento estratégico, a assumir um papel central na noite do Porto.
Desde cedo, ficou claro que ali não existiam fórmulas fechadas nem rótulos rígidos. O Plano B cresceu como um espaço orgânico, moldado pelas pessoas que o frequentavam e pelos artistas que por lá passavam.
Três salas, múltiplas linguagens
Parte da identidade do Plano B construiu-se através da sua estrutura singular, que permite experiências distintas numa mesma noite. Atualmente, o espaço divide-se em três áreas principais:
Galeria, onde o ambiente é mais descontraído e propício à conversa;
Sala Cubo, dedicada à música electrónica e à cultura de DJ;
Sala Palco, focada em concertos ao vivo, performances e showcases.
Esta diversidade permitiu ao Plano B acolher géneros musicais tão distintos como techno, house, electro, jazz, rock, indie, hip-hop ou experimental, sem nunca perder coerência artística.
“Do freak ao chic”: um espaço para todos
Ao longo dos anos, o Plano B tornou-se conhecido pela sua capacidade rara de juntar públicos diferentes. A expressão “do freak ao chic”, usada pelo próprio espaço para assinalar os 20 anos, resume bem essa filosofia.
Aqui, a música sempre falou mais alto do que a aparência, o estatuto ou as tendências do momento. Essa abertura refletiu-se também no palco, que recebeu artistas nacionais e internacionais de enorme relevância, entre eles Peaches, Jamie XX, Daniel Avery, Folamour, Miss Kittin, Capitão Fausto, Linda Martini, Capicua, Sensible Soccers, entre muitos outros.
O Plano B foi, para muitos artistas portugueses, um primeiro palco sério, e para outros tantos, um local de consagração.
20 anos de resistência cultural
Chegar aos 20 anos é um feito significativo, sobretudo num sector marcado por instabilidade, mudanças constantes nos hábitos do público e desafios económicos crescentes. O Plano B atravessou diferentes fases da cidade do Porto da Baixa esquecida ao epicentro turístico sem abdicar da sua identidade.
Em vez de se adaptar cegamente às tendências, o espaço optou por evoluir com critério, mantendo uma programação cuidada e uma relação próxima com a comunidade artística.
Uma celebração que dura todo o ano
As comemorações dos 20 anos estendem-se ao longo de todo o ano de 2026, com uma programação especial que reflete a diversidade que sempre definiu o Plano B. Entre os nomes já anunciados encontram-se Blawan, Skream, Palms Trax, Gilles Peterson, Dr. Rubinstein, Avalon Emerson, GiGi FM, CC:Disco!, bem como concertos de Memória de Peixe, Travo e Unsafe Space Garden.
Mais do que um evento isolado, esta celebração assume-se como uma curadoria contínua, pensada para honrar o passado sem perder o foco no futuro.
O legado do Plano B
Duas décadas depois, o Plano B continua a ser um espaço onde a noite é vivida com intenção. Um lugar que ajudou a moldar gerações, a lançar carreiras e a consolidar o Porto como cidade culturalmente relevante no panorama europeu.
Num tempo em que muitos espaços perdem identidade para sobreviver, o Plano B prova que é possível resistir sem comprometer a visão. Porque mais do que um clube, é e sempre foi um ponto de encontro cultural em permanente movimento.
Fontes
Time Out Porto
Porto Canal
Comunidade Cultura e Arte
