DJ Ride vence o DMC Iberia em duas categorias
DJ Ride vence o DMC Iberia 2026 nas categorias Classic e Open e garante presença na final mundial em Londres. Uma vitória histórica para o turntablism português e ibérico.
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O português conquistou os títulos Classic e Open na primeira final do DMC Iberia realizada no Marisquiño, em Vigo. Em novembro, vai representar a Península Ibérica no palco mundial do turntablism.
Há momentos que ultrapassam o resultado de uma competição. A vitória de DJ Ride no DMC Iberia 2026 é um deles.
No passado domingo, 9 de agosto, o artista português saiu de Vigo com dois títulos: DMC Iberia Classic e DMC Iberia Open, garantindo assim o passaporte para os DMC World DJ Championships, que regressam a Londres em novembro.
A final ibérica realizou-se pela primeira vez no O Marisquiño, em Vigo, reunindo alguns dos melhores nomes do turntablism de Portugal e Espanha. A competição contou com três categorias — Scratch, Classic e Open e colocou frente a frente DJs seleccionados através de uma fase de qualificação online.
Na categoria Classic, DJ Ride venceu uma competição que exigia uma rotina de seis minutos, enquanto na Open voltou a destacar-se num formato mais livre, pensado para permitir aos participantes explorar propostas mais pessoais e criativas. O resultado ganha ainda mais significado pelo próprio contexto.
O regresso às batalhas
DJ Ride revelou, após a competição, que estava numa espécie de "semi-retirement" das batalhas, estando actualmente concentrado no seu próximo álbum e noutros projectos. A existência de uma edição do DMC Iberia acabou, no entanto, por ser razão suficiente para regressar. Mais do que competir, o artista sublinha a importância de apoiar uma iniciativa que recupera uma competição que não acontecia em Portugal há mais de uma década. E há aqui uma ideia particularmente importante: as batalhas continuam a ser um espaço de aprendizagem, partilha e comunidade. É precisamente essa dimensão que muitas vezes fica esquecida quando se olha para o turntablism apenas como uma competição. Por detrás dos títulos estão anos de técnica, preparação, criatividade e uma cultura construída por DJs que continuam a desafiar-se mutuamente.
Para Ride, o regresso teve também uma componente pessoal. Depois de algum tempo afastado deste universo, voltar a subir a um palco para se desafiar novamente trouxe de volta aquela dose de adrenalina que faz parte da essência das battles.
Vigo, o cenário perfeito
A escolha do Marisquiño como palco para a primeira final do DMC Iberia acrescentou uma dimensão especial ao momento. Com o Atlântico como pano de fundo, a competição levou a cultura do turntablism para um dos grandes eventos de cultura urbana da Península Ibérica. O próprio DJ Ride destacou o cenário de Vigo e a experiência de fazer scratching com o oceano em frente ao palco. O resultado acabou por ser simbólico: uma cultura com raízes profundas no hip-hop e na técnica de DJ voltou a ocupar espaço num dos grandes encontros de cultura urbana da região. E não foi apenas Ride a representar Portugal. O painel de jurados contou também com DJ Stereossauro, figura incontornável do turntablism português e membro dos Beatbombers, enquanto a competição reuniu talentos de ambos os lados da fronteira.
Próxima paragem: Londres
Agora, a fasquia sobe. Os DMC World DJ Championships 2026 regressam a Londres, cidade onde a competição nasceu, para mais uma edição que reunirá representantes de vários países e alguns dos melhores turntablists do mundo. O programa está marcado para novembro, com as eliminatórias do DMC Battleground a acontecerem a 13 de novembro e as finais mundiais no dia 14, em Londres. Depois de conquistar dois títulos em Vigo, DJ Ride prepara-se para levar o nome português para um dos palcos mais importantes da história da cultura DJ. E há uma ironia interessante nesta história: um artista que já estava parcialmente afastado das batalhas regressa para apoiar o movimento e acaba por sair de Espanha como campeão em duas categorias. Agora resta Londres. E, desta vez, o desafio será mundial.
OPINIÃO UNDERMAG
Há algo particularmente relevante nesta vitória de DJ Ride. Num momento em que o DJing é cada vez mais associado à imagem, aos festivais e à dimensão de espectáculo, o DMC continua a lembrar-nos de uma coisa essencial: ser DJ também é dominar o instrumento. O regresso do DMC Iberia é, por isso, uma excelente notícia para a cultura DJ em Portugal e Espanha. E a vitória de Ride em duas categorias dá ainda mais força a esse momento. Mais do que dois troféus, há aqui uma mensagem: a cultura do turntablism continua viva, continua a evoluir e continua a produzir artistas portugueses capazes de competir ao mais alto nível internacional. Agora queremos ver o que acontece em Londres. Parabéns, DJ Ride. O próximo capítulo joga-se no Mundial.
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