Bandcamp proíbe música gerada por Inteligência Artificial e reforça compromisso com a criação humana

O Bandcamp, uma das plataformas mais respeitadas do ecossistema independente global, anunciou oficialmente a proibição de música gerada por Inteligência Artificial. A decisão marca uma posição clara num dos debates mais sensíveis da indústria musical contemporânea: o limite entre tecnologia e criação artística.

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1/14/20262 min read

Num comunicado intitulado Keeping Bandcamp Human, a plataforma afirma que deixará de aceitar faixas criadas “total ou substancialmente” por sistemas de IA. O objectivo é simples, mas firme: preservar a autenticidade da música e a relação de confiança entre artistas e fãs dois pilares fundamentais da identidade do Bandcamp desde a sua fundação.

“A música é feita por pessoas”

Ao contrário de outras plataformas de streaming que têm assistido a uma avalanche de conteúdos automatizados, o Bandcamp opta por seguir o caminho inverso. A empresa sublinha que sempre foi um espaço pensado para criadores reais, histórias reais e comunidades reais, onde a música não é apenas um ficheiro, mas uma expressão cultural e emocional.

Segundo a plataforma, permitir música gerada por IA colocaria em causa essa missão, abrindo portas à saturação de conteúdos artificiais, à desvalorização do trabalho artístico e a potenciais conflitos relacionados com direitos de autor e identidade criativa.

O que muda na prática

Com esta nova política editorial:

  • Faixas criadas total ou maioritariamente por IA deixam de ser permitidas no Bandcamp

  • Conteúdos que imitem artistas, vozes ou estilos específicos através de IA serão removidos

  • A plataforma poderá actuar com base em denúncias da comunidade ou em análises internas

  • O foco regressa à música criada com intenção humana, independentemente das ferramentas usadas no processo

Importa notar que o Bandcamp não proíbe o uso de tecnologia como apoio criativo apenas rejeita a substituição do processo artístico humano por geração automática.

Uma decisão com peso cultural

Esta posição surge num momento em que a indústria musical enfrenta uma transformação acelerada, com plataformas a receber milhares de faixas geradas por IA todos os dias. Para muitos artistas independentes, esta realidade representa uma ameaça directa à visibilidade, à sustentabilidade financeira e à própria noção de autoria.

Ao assumir esta postura, o Bandcamp envia uma mensagem clara: nem toda a inovação deve ser aceite sem questionamento. Há valores culturais, éticos e artísticos que precisam de ser defendidos especialmente num espaço que sempre funcionou como alternativa ao mainstream e à lógica puramente algorítmica.

Um sinal para o futuro da música independente

A decisão do Bandcamp poderá não travar o avanço da Inteligência Artificial na música, mas estabelece um precedente importante. Num mercado cada vez mais automatizado, a plataforma reafirma-se como um dos últimos redutos onde a música continua a ser feita por pessoas, para pessoas.

Para a comunidade underground, este é mais do que um ajuste de política: é um posicionamento cultural. E num tempo em que tudo pode ser gerado em segundos, o Bandcamp lembra-nos que criar ainda leva tempo, intenção e alma.