Argy lidera lineup do Brunch Electronik Lisboa
Argy, Korolova, KURA, Rhafaela AKL e ZAZU juntam-se a 13 de setembro no Brunch Electronik Lisboa, numa tarde marcada pelos contrastes entre melodic techno, progressive house e diferentes linguagens de pista.
EVENTOS


Argy lidera uma tarde de contrastes no regresso do Brunch Electronik Lisboa
A 13 de setembro, a Lagoa Branca volta a receber o Brunch Electronik Lisboa para uma tarde que cruza melodic techno, progressive house e diferentes linguagens de pista, com Argy, Korolova e KURA em destaque.
O Brunch Electronik Lisboa regressa este domingo, 13 de setembro, à Lagoa Branca, na Tapada da Ajuda, para mais uma edição da sua temporada ao ar livre. A partir das 14h, Argy, Korolova, KURA, Rhafaela AKL e ZAZU assumem a programação de uma tarde pensada em torno de diferentes interpretações da música electrónica de dança.
Entre os nomes do cartaz, Argy surge como uma das figuras centrais da edição. O produtor grego tem vindo a afirmar uma identidade cada vez mais reconhecível dentro do universo do melodic techno, sobretudo através de uma abordagem que privilegia a construção de atmosferas, a tensão e uma dimensão visual e narrativa que ultrapassa a lógica de uma simples sequência de faixas para a pista.
Argy e a construção de um novo mundo
O percurso recente de Argy ganhou uma nova dimensão com New World, álbum lançado pela Afterlife em 2024 e que marcou uma fase importante na evolução do produtor. O projecto apresentou uma visão mais conceptual da sua música, cruzando melodias, tensão e uma produção orientada para grandes palcos.
Faixas como “Aria”, “Tataki” e “Higher Power” ajudaram a consolidar essa linguagem, enquanto colaborações mais recentes, como “Melodia” com MEDUZA, contribuíram para aproximar o seu som de um público ainda mais abrangente.
Em 2026, esse universo ganhou continuidade com NEWORLD II. Mais do que uma simples sucessão de novos lançamentos, o projecto prolonga a ideia de um universo artístico onde música, imagem e espectáculo funcionam em conjunto. É precisamente essa dimensão que torna Argy particularmente interessante num cartaz como este: a sua proposta não depende apenas da pista, mas também da capacidade de criar uma narrativa colectiva perante milhares de pessoas.
A presença do produtor grego coloca, por isso, um dos principais pontos de interesse desta edição do Brunch Electronik Lisboa.
Do lado emocional ao progressivo
A programação ganha outra perspectiva com Korolova, artista ucraniana que se tem destacado dentro do cruzamento entre progressive house e melodic techno.
Se Argy tende a explorar uma vertente mais dramática e cinematográfica, Korolova trabalha frequentemente uma dimensão mais luminosa e emocional, sem abdicar da pressão necessária para manter a pista em movimento. A sua passagem por grandes palcos internacionais, incluindo Tomorrowland e EDC Las Vegas, ajudou a ampliar uma identidade que também encontra continuidade fora da cabine através da sua editora Captive Soul.
Criada em 2023, a Captive Soul funciona como uma extensão da visão artística da produtora, enquanto lançamentos recentes como “Distorted Love”, em colaboração com Be No Rain, e o EP Another Life dão continuidade a esse percurso.
A proximidade estilística entre Argy e Korolova torna a sua presença conjunta especialmente interessante. Há um território musical comum, mas também diferenças suficientes para que a tarde não se transforme numa experiência linear.
KURA acrescenta pressão à pista
A representação portuguesa fica entregue a KURA, nome com uma carreira internacional consolidada e uma abordagem mais directa à energia de grandes pistas.
Com lançamentos associados a editoras como Revealed, Musical Freedom e Spinnin’ Records, o produtor português construiu ao longo dos anos uma linguagem que atravessa house e techno e privilegia o impacto rítmico. A sua presença acrescenta uma mudança de intensidade ao alinhamento e ajuda a afastar a programação de uma leitura exclusivamente centrada no melodic techno.
Com Rhafaela AKL e ZAZU a completarem o cartaz, o encontro ganha ainda outras possibilidades de transição ao longo da tarde, acompanhando a evolução natural de um evento pensado para o contexto diurno da Lagoa Branca.
Uma programação construída sobre contrastes
Mais do que apresentar cinco nomes dentro de uma mesma tendência, esta edição do Brunch Electronik Lisboa parece apostar precisamente nas diferenças entre eles.
Argy representa uma electrónica mais narrativa e cinematográfica; Korolova aproxima o melodic techno de uma dimensão progressiva e emocional; KURA introduz maior pressão rítmica, enquanto Rhafaela AKL e ZAZU contribuem para construir a continuidade musical da tarde.
É uma fórmula que faz sentido dentro da identidade do próprio Brunch Electronik: criar experiências ao ar livre onde a música funciona como fio condutor, mas sem obrigar todo o cartaz a falar exactamente a mesma linguagem.
A edição de 13 de setembro acontece a partir das 14h, na Lagoa Branca, Tapada da Ajuda, em Lisboa, com o evento reservado a maiores de 18 anos. Os bilhetes são nominais e requerem a apresentação de documento de identificação original.
Opinião UnderMag
Há cartazes que chamam a atenção pela quantidade de nomes e outros que funcionam precisamente porque existe uma lógica por trás das diferenças. Este parece estar mais próximo da segunda categoria.
Argy é, naturalmente, o grande chamariz, sobretudo num momento em que o universo de New World continua a crescer. Mas a verdadeira força desta edição pode estar no contraste entre propostas. Em vez de transformar a tarde numa sequência previsível de melodic techno, o Brunch Electronik cria espaço para diferentes níveis de intensidade e interpretação.
E é aí que a programação ganha interesse: não é apenas sobre quem toca, mas sobre como estes diferentes universos podem coexistir na mesma pista.
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