Âme anunciam novo álbum “Love Is The Dance” pela Innervisions

Âme anunciam “Love Is The Dance”, novo álbum de 13 faixas que revisita duas décadas de música electrónica, com colaborações de RY X, Trikk, Henrik Schwarz e outros.

MÚSICA

9/17/20265 min read

Âme anunciam Love Is The Dance, um álbum que revisita duas décadas de música electrónica

Há projectos que não precisam de apresentações. Âme é um deles. Duas décadas depois de Frank Wiedemann e Kristian Beyer começarem a construir uma das linguagens mais reconhecíveis da electrónica europeia, o duo alemão prepara o lançamento de Love Is The Dance, o seu novo álbum, com edição marcada para 6 de Novembro pela Innervisions.

Com 13 faixas, o disco surge como uma reflexão sobre os sons, artistas e referências que acompanharam o percurso de Âme ao longo dos últimos vinte anos. Entre as influências assumidas encontram-se nomes e instituições fundamentais da história da música electrónica, com particular destaque para Detroit e para o legado de Underground Resistance, mas também para o universo criativo associado aos Compass Point Studios.

Mais do que uma simples retrospectiva, Love Is The Dance parece procurar transformar essas referências numa linguagem contemporânea. O resultado atravessa diferentes territórios, entre electrónica vocal, estruturas mais próximas da canção e momentos claramente orientados para a pista de dança, mantendo a tensão entre emoção e funcionalidade que há muito caracteriza o trabalho de Âme.

Um álbum construído entre a pista e a canção

O alinhamento revela uma dimensão particularmente colaborativa. Ao longo das 13 faixas, Frank Wiedemann e Kristian Beyer trabalham com artistas de universos distintos, entre eles RY X, Trikk, Henrik Schwarz, Busiswa, Meredi, Curses, Rhye e KÁRYYN.

O envolvimento de Trikk assume especial interesse para o público português. O produtor português participa em Don't Waste My Time, ao lado de Jens Kuross, e regressa em Factor It, desta vez numa colaboração com Henrik Schwarz. Trikk integra também o universo da Innervisions, reforçando uma ligação artística que já vinha sendo explorada pelos intervenientes antes do anúncio do álbum.

O alinhamento completo começa com Wasted Time - Intro e percorre diferentes atmosferas até Of Courage, colaboração com KÁRYYN. Pelo caminho encontram-se Cold, com Jeannel, Water Be My Crown, com Meredi, Topanga e Raw, com Rhye. A estrutura do álbum sugere, assim, uma obra menos preocupada em seguir uma fórmula única e mais interessada em explorar diferentes possibilidades dentro da identidade de Âme.

Cinco faixas já apresentadas

Embora o álbum só chegue na íntegra em Novembro, Love Is The Dance já começou a revelar a sua identidade através de cinco temas.

Don't Waste My Time, lançado originalmente em 2025, junta Âme a Trikk e Jens Kuross. Seguiram-se Pha Na Pha, com Busiswa, Love Is The Dance, com RY X, Shadow Of Love, com Curses, e Asa, lançado originalmente em 2024.

A faixa-título, Love Is The Dance, recebeu também recentemente uma nova leitura pelas mãos de Ivory. O remix foi lançado a 4 de Setembro de 2026 e mantém RY X nos créditos, funcionando como mais uma antevisão do universo sonoro que o álbum pretende apresentar.

Entre estes lançamentos, Pha Na Pha também ganhou uma versão assinada por TSHA, editada em Junho deste ano, mostrando que o material do álbum já começa a circular para além do universo directo de Âme.

Vinte anos depois de Rej

Para compreender o peso de Love Is The Dance, é impossível ignorar a história do duo. Âme começou a ganhar notoriedade internacional durante a primeira metade dos anos 2000 e tornou-se uma das peças centrais da Innervisions, editora fundada por Âme e Dixon em 2005.

Rej, lançado em 2005, tornou-se uma das faixas mais importantes da primeira fase do projecto e ajudou a definir uma abordagem em que melodias, sintetizadores e estruturas de house conviviam com uma forte preocupação atmosférica.

Ao longo dos anos, essa linguagem foi sendo expandida através de remixes, colaborações e do trabalho da dupla em diferentes formatos. Em 2018 surgiu Dream House, o primeiro álbum de estúdio de Âme, uma obra que, segundo Frank Wiedemann numa entrevista realizada durante a preparação do novo disco, procurava afastar-se deliberadamente das expectativas associadas ao público de clubes.

A experiência desse primeiro álbum acabou por influenciar o caminho seguinte. Wiedemann explicou na altura que, para Love Is The Dance, existia uma vontade maior de estabelecer uma ligação com a pista de dança.

Essa intenção ajuda a contextualizar o novo trabalho. Se Dream House permitiu a Âme explorar uma dimensão mais ampla e contemplativa, Love Is The Dance parece partir dessa experiência para voltar a aproximar diferentes linguagens do espaço onde o projecto sempre teve uma das suas principais raízes: o clube.

Uma ponte entre referências

A presença de Underground Resistance como uma das referências do álbum é particularmente significativa. A influência de Detroit surge aqui não apenas como referência estética, mas como parte de uma história mais ampla sobre a relação entre música electrónica, tecnologia, identidade e pista de dança.

Ao mesmo tempo, a referência aos Compass Point Studios aponta para uma perspectiva mais abrangente. Em vez de limitar o álbum às fronteiras de house e techno, Âme parecem olhar para diferentes momentos da história da música para construir uma obra que cruza electrónica, instrumentos acústicos, vozes e texturas de diferentes geografias.

É precisamente essa amplitude que torna o alinhamento particularmente interessante. A colaboração com Busiswa introduz uma dimensão vocal e cultural distinta, enquanto RY X, Rhye e KÁRYYN aproximam o projecto de universos mais ligados à canção e à electrónica alternativa. Do outro lado, nomes como Trikk, Henrik Schwarz e Curses mantêm uma ligação evidente ao lado clubbing da obra.

Love Is The Dance

O título acaba por funcionar quase como uma declaração de princípios. Depois de duas décadas a explorar a relação entre emoção e pista de dança, Âme apresentam um álbum que parece querer reunir diferentes momentos dessa viagem num único corpo de trabalho.

Não se trata apenas de recuperar sons do passado. O desafio está em perceber como essas referências podem continuar a ser transformadas no presente. É uma abordagem coerente com a trajectória de Âme e com a própria história da Innervisions: olhar para a cultura de clube sem a tratar como uma fórmula fechada.

Love Is The Dance chega a 6 de Novembro de 2026, em formato de 13 faixas, pela Innervisions. Até lá, os singles já disponibilizados deixam algumas pistas sobre um álbum que promete aproximar diferentes gerações, geografias e linguagens da música electrónica.

Opinião UnderMag

Mais do que assinalar duas décadas de carreira, Love Is The Dance parece representar uma oportunidade para Âme colocarem diferentes capítulos da sua história em diálogo. A presença de artistas tão distintos e a combinação entre referências de Detroit, electrónica vocal e música de pista apontam para um álbum que não procura simplesmente repetir a fórmula que tornou o duo relevante.

A verdadeira curiosidade estará em perceber como essas referências vão coexistir quando as 13 faixas forem finalmente ouvidas como uma obra completa. Num momento em que tantas produções electrónicas procuram encaixar rapidamente numa determinada categoria, Âme parecem continuar interessados precisamente no espaço que existe entre elas.

Explora mais Música

UNDERMAG © 2026

Menos scroll. Mais conteúdo relevante. Subscreve a newsletter UnderMag.